Exposição CONCRESCER leva poesia concreta à Casa das Rosas

Exposição CONCRESCER leva poesia concreta à Casa das Rosas

Concrescer, exposição aberta de 15 de novembro de 2017 a 31 de março de 2018 na Casa das Rosas, traz nove obras (objetos e instalações) criadas entre 1983 e 1987 a partir da leitura e da reinterpretação plástico-espacial de poemas concretistas da primeira fase – na passagem dos 1950 para 1960. A pesquisa que originou essas obras recebeu o nome de Transcodificações e seus resultados já foram expostos em diversas ocasiões e condições, de instalações em espaços públicos a coletivas institucionais, incluindo uma exposição exclusiva no Paço das Artes, em 1986.

O nome Transcodificações surgiu da ideia de tradução para códigos diferentes – no caso, do verbal gráfico (a palavra escrita e toda a superestrutura sintática e léxica) para o puramente visual (cores e formas sem relação mimética com o pressuposto semântico). “Desde o início, contamos com a colaboração e a orientação valiosíssima de Augusto de Campos e Júlio Plaza, além de muitas outras grandes personalidades da poesia concreta, como Décio Pignatari, Haroldo de Campos, Ronaldo Azeredo e Pedro Xisto”, explicam os artistas Jorge Bassani e Francisco Zorzete. “Todos generosamente nos receberam e se dispuseram a longos debates sobre a intrínseca relação de suas obras poéticas com a visualidade da folha impressa.”

Reapresentar essa pesquisa realizada com poemas concretos, 30 anos depois, conferindo-lhe novas dimensões de “leitura”, é algo que vai além do mero registro. “A exposição na Casa das Rosas resulta do desejo de prosseguir nossa discussão sobre a linguagem em sua multiplicidade pragmática (e programática) nos mais diversos contextos”, observam os artistas.

Os anos 1980 foram uma espécie de “ponto de ruptura” do eletromecânico para o digital. Ou seja, Bassani e Zorzete iniciaram sua produção experimental no vórtice da mais profunda revolução nos meios de produção, de reprodução e de operacionalização das linguagens. “A poesia concreta não apenas atravessou todo esse vendaval com um status inabalado de experiência profunda, como foi alçada a patamares mais elevados em suas perspectivas visionárias da operação poesia + vida urbana + tecnologia da informação + cultura pop + explosão midiática dos signos”, ressaltam.

Os artistas acreditam que, no mundo de hoje, o projeto Transcodificações contribui para esse debate, mas não se restringe aos poemas. A releitura propõe, também, novos olhares sobre a enorme importância de artistas como Julio Plaza, no sentido de expandir e explodir os limites semânticos e formais do signo. “Mais do que uma referência fundamental para nossa pesquisa, foi do contato com conceitos de tradução intersemiótica, especialmente a partir de Roman Jakobson, que ela de fato tomou corpo”, contam.

A exposição Concrescer mostra que, apesar da revolução digital que derrubou todos os limites entre códigos e linguagens, a experiência poética é sempre sensorial, corporal. A espacialização dos poemas em sua concretude conduz a outras condições de experimentação da poesia, preservando muitos de seus atributos semânticos e gráficos, mas propondo novas formas de percepção e leituras. Na Casa das Rosas, a partir de 15 de novembro, estarão expostas as obras: A Rosa Doente (poema de Willian Blake; trad: Augusto de Campos), Concretus (poema de Pedro Xisto), Cheio/Vazio (poema de Pedro Xisto), Velocidade (poema de Ronaldo Azeredo), Infinito (poema de Pedro Xisto), LIFE (poema de Décio Pignatari), Gravidade Zero (poema de Pedro Xisto), Forma (poema de José Lino Grünewald) e Bola Azul (poema de Pedro Xisto).

Algo novo que acontece na exposição atual é a tradução dos conceitos para as novas tecnologias, incorporando a técnica de Fine Art Digital Printing. Essa tecnologia usa equipamentos modernos para reproduções em altíssima qualidade, com resultados em cores vívidas e mais resistência ao tempo. A impressão é feita em um sofisticado papel de algodão com pigmentos minerais. Se, antigamente, as gravuras eram feitas na pedra e no metal, a arte do século XXI explora também as novidades tecnológicas e dialoga com essas novas possibilidades.

Jorge Bassani e Francisco Zorzete iniciaram suas carreiras nos anos 1970, com o grupo Manga Rosa, atuando especialmente com intervenções artísticas na cidade. Com o grupo realizaram ações na cidade como Sinalização (de) Formativa (1979) Projeto Ao-ar-livre (1980) e Homenagem a Flavio de Carvalho (1982). Com o término das atividades do grupo, em 1983, realizaram durante quatro anos um extenso trabalho investigando diálogos entre o espaço tridimensional e a poesia concreta. Entre as exibições de produtos desse trabalho, destacam-se as instalações em espaços públicos A Rosa Doente (1984) e Concretus (1985). Bassani e Zorzete participaram de exposições em dupla e também de coletivas, como Imagicidade (CCSP, 1986), Panorama da Arte Atual Brasileira (MAM-SP, 1985) e Transcriar (MAC-SP, 1986). Em 2013, publicaram o São Paulo: Cidade e Arquitetura – Um Guia, com a seleção de 284 obras arquitetônicas mapeadas no contexto da infraestrutura urbana de cada época, nos diversos períodos históricos de São Paulo.

 Jorge Bassani é graduado, mestre e doutor em Arquitetura e Urbanismo e professor no Departamento de História da FAU-USP, onde coordena o Grupo de Estudos Mapografias Urbanas. Integra como co-coordenador o grupo de pesquisa internacional ARTSBANK sediado no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa, dedicado ao estudo das transformações nas bordas metropolitanas a partir de suas produções culturais. Nos últimos anos vem desenvolvendo a pesquisa “Das intervenções artísticas às ações políticas urbanas”. Autor de As Linguagens Artísticas e a Cidade (2003) e organizador de PDP – Mapografias Urbanas (2012). Depois do Manga Rosa e do projeto Transcodificações, realizou outros trabalhos de intervenções urbanas, como As cores do MAC (Parque Ibirapuera, SP, 1992), Caminho (os “arcos da Av. Paulista”, com Dr. Arnaldo, 1993) e Tramas Urbanas (SESC Paulista, 1994).

Francisco Zorzete trabalhou na Divisão de Preservação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico) de São Paulo, tendo depois assumido a Chefia da Seção do Laboratório de Restauro, dedicada às obras de escultura dos logradouros públicos da cidade. Em 1997, estruturou a Companhia de Restauro, empresa especializada na restauração e conservação de bens de interesse histórico, e responsável pelo restauro de importantes imóveis, entre eles o Edifício Central dos Correios, Edifício Altino Arantes (Banespão), Edifício Itália, Palácio dos Campos Elíseos, além de obras de arte, como os Chafarizes e Monumento do Parque da Independência, Esculturas da Praça Ramos de Azevedo, Monumento às Bandeiras, Esculturas da Praça da Sé e Jardim das Esculturas do MAM. Foi também um dos idealizadores da Escola Paulista de Restauro e do MuBE Virtual.

Serviço: Exposição CONCRESCER
Onde: Casa das Rosas
Endereço: Av. Paulista, 37 – Paraíso, São Paulo – SP
Quando: Até 31 de março de 2018

Categorias: Cultura, Exposições

Sobre o Autor

Rodolfo Rodrigues

Empreendedor, apaixonado pela vida e por São Paulo. profissional de Marketing Digital, Mídias Sociais e Marketing Multinível na Empresa i9life. Estudante de Administração de Empresas.

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